Livro de alto valor literário *José Louzeiro

dezembro 4, 2006 at 4:43 pm (Uncategorized)

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2006

Caro amigo, Hildebrando Pafundi

“No Ritmo Sensual da Dança” é excelente! A recriação que você consegue fazer dos bailes e namoricos de antigamente, durante os “embalos”, tão diferentes de hoje, é coisa de mestre; de quem entende da arte de observar, conforme aprende-se no jornalismo. E mais: o ficcionista Pafundi bota de pé as personagens da noite em clima de alegria, paixão, magia e solidão. Belíssima sua definição de dança: “é um prazer que fala a linguagem do corpo”.

Há muito tempo não lia histórias do cotidiano com essas pinceladas tão sutis, apontando transcedências, pouco freqüentes na literatura brasileira de hoje. Talvez isso tenha acontecido, entre nós, só no final da década de 50, estréia de José J. Veiga, com “Os Cavalinhos de Platiplanto”. Sua coletânea, esteja certo, é de alto valor literário. O conto “Nem a morte pára o baile no Clube Nova Vida” é antológico.

Grande Abraço

* José Louzeiro é escritor, jornalista, romancista, autor de novelas para tevê e roteirista.

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Mister Brando – crônica – Ednal Kalil*

novembro 28, 2006 at 11:11 am (Uncategorized)

Lá pelos meados dos anos noventa, entre tramas e dramas da vida urbana, mais precisamente em uma roda de intelectuais de Santo André, nos conhecemos. E graças a amigos comuns, ele tornou-se Brando, o cortês e elegante Mister Brando e me presenteou com alguns contos.

Eu, até então escritora de gaveta, metida à radialista, quis saber mais sobre este senhor; jornalista há anos, destes que farejam a notícia, pé no chão, com uma brilhante passagem pelos principais jornais paulistas. Viveu intensamente a ditadura militar e muito correu da polícia.

De lá prá cá, já se passaram vários carnavais, os cabelos embranqueram.

Mister Brando acumulou experiências aliadas à leitura e produz contos e crônicas deliciosas de ler, com forte presença do feminino. É possível sentir-se a brejeirice de Cora Coralina, a sutiliza de Machado de Assis, um terno beijo de Cecilia Meireles e um toque de Fernando Sabino, tornando seus personagens tão reais.

Tremendo pé de valsa, freqüentador assíduo de bailes, discreto e elegante, talvez um amante à moda antiga. Colecionador de amigos, ele constrói histórias cercado de belas mulheres, que o digam as filhas.

Escritor premiado, imortal da Academia de Letras da Grande São Paulo, que tenho a honra de chamar de amigo: Hildebrando Pafundi.

E com licença, agora vou terminar de ler o seu mais recente livro, “No ritmo sensual da dança”.

Morram de inveja

Santo André, 29 de novembro de 2006

*Edna Kalil é escritora, poeta e radialista.

**O livro de Hildebrando, “No ritmo sensual da dança”, pode ser encontrado na Livraria Nobel, no Shopping ABC,  e-mail nobelabc@uol.com.br ou com o autor pelo e-mail hpafundi@ig.com.br

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Novo Livro de Pafundi foi lançando com sucesso

novembro 27, 2006 at 9:06 pm (Uncategorized)

O novo livro de contos de Hildebrando Pafundi, “No ritmo sensual da dança”, foi lançando com sucesso em fins de outubro de 2006, na Livraria Nobel, do Shopping ABC, em Santo André, onde continua a venda por R$ 18,00. Pode ser encontrado também em outras livrarias de Santo André e algumas de São Paulo.

No lançamento compareceram cerca de 200 pessoas, entre 18 e 22 horas e foram vendido 60 exemplares, que segundo a gerência da livraria, pode ser considerado um sucesso. “São poucos escritores que conseguem vender essa quantia no lançamento”, disse um dos funcionários.

Hildebrando, no entanto, não pára e continua participando de outros eventos culturais na região do ABC e outras cidades, autografando seu novo livro e o anterior, “Tramas & dramas da vida urbana”, do qual ainda possui alguns exemplares.  Em fevereiro de 2007 deve fazer o lançamento de “No ritmo sensual da dança” em Suzano, cidade da Grande São Paulo; e no mês seguinte, em São Caetano do Sul, na Bibiblioteca Municipal Paul Harris.  Ao mesmo tempo, já está preparando novo livro para ser lançado em 2007.

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Hildebrando Pafundi vai lançar novo livro de contos

agosto 4, 2006 at 4:25 pm (Uncategorized)

O titular do blog Beco das Letras, escritor Hildebrando Pafundi, vai lançar em setembro, seu segundo livro individual de contos, No ritmo sensual da dança, que se encontra em fase final de preparação.

O volume vai reunir 19 histórias que têm como pano de fundo ou ambiente, a danção de salão que se reealiza em clubes, salões, boates e casas noturnas do Grande ABC e São Paulo. O prefácio é do poeta e editor da revista Cigarra, Zhô Bertholini e as orelas do livro é de autoria do escritor, contista, poeta e jornalista Arististides Theodoro. Aguardem!

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(*) POR ONDE ANDARÁ MEU TIO SINÉSIO? Conto – Hildebrando Pafundi

agosto 1, 2006 at 11:24 pm (Uncategorized)

Na verdade, o que vou narrar agora, ocorreu com meu tio Sinésio, que morava vizinho a nossa casa, em uma cidade do interior de São Paulo. Embora tenha ocorrido há mais de quinze anos, ainda permanece em minha memória.
Aos quinze anos de idade eu era um adolescente muito curioso, meio metido a detetive, inflenciado – quem sabe – pelos gibis. Os livros não eram minha paixão, achava-os chatos e cansativos, somente os lia quando era obrigado pela professora. Preferia as histórias em quadrinhos. Afortunadamente, com o passar do tempo, mudei de opinião, passei a ler livros, em especial os policiais, não quis mais saber de gibis.
Esse meu tio era misterioso, estava casado com tia Laura, a irmã mais velha de meu pai e não tinham filhos. Talvez fosse esse o motivo de sua falta de preocupação com a casa. Meu pai ao contrário dele, tinha a responsabilidade de pagar as contas e colocar comida em casa para a família: minha mãe, sua mulher, e os filhos. Éramos três – dois meninos e uma menina – eu era o mais velho. Ele dois anos mais novo e ela três. Mas esses detalhes não são importantes agora.
O que realmente importa nessa história é que meu tio Sinésio às vezes desaparecia por um ou dois dias. Certa vez, chegamos a pensar que não voltaria mais, pois ausentou-se por uma semana.
Decidi então fazer o papel de detetive amador. Tentei segui-lo algumas vezes, no entanto, ele sempre me ludribiava. Durante aquela semana fiz minhas investigações, sem êxito.
Sem dar muitas explicações, como de praxe, ele voltou repentinamente. Disse que estava viajando a trabalho. Podia até ser verdade, mas minha taia achava que havia outra mulher na vida dele. Isso nunca ficou provado.
Porém, em um dia qualquer, ele desapareceu para sempre. Não tivemos mais noticias. Quem sabe tenha morrido tragicamente – assassinado pelo pai de alguma jovem ludribaida ou por algum marido traído ou ciumento ou talvez tenha sido assaltado e morto numa dessas viagens misteriosas. E os bandidos podiam muito bem ter levado também os documentos, e ele ter sido sepultado como indigente.
A família toda – inclusive eu, procuramos nas delegacias de policia, nos hospitais e nicrotérios. Colocamos, inclusive, anuncio no jornal e na rádio. Nem sinal de meu tio Sinésio. Muitos membros da família e amigos mais íntimos já o consideravam morto.
Minha tia Laura estava indignada. Nem tanto pelo desaparecimento do marido, que talvez nem amasse mais, mas pela ausência de noticias. Díficil não saber se era viúva ou mulher abandonada. Se meu tio Sinésio estivesse realmente morto, ela teria direito à pensão, bastava apenas dar entrada nos papéis. Dirigiu-se à empresa onde ele trabalhava e para sua surpresa informaram que ele fora demitido por abandono do emprego. Faltara por mais de trinta dias sem qualquer justificativa. O sumiço ainda mais misteriosos, depois dessa revelação.
Hoje já estou com trinta anos de idade e trabalho no comércio. Minhas aspirações a detetive acabaram pelos meus sucessivos fracassos no intuito de desvendar os temporários desaparecimentos do meu tio Sinésio, até ele sumir definitivamente de nossas vidas.
Acredito que esta história teria final aterrorizante, não ficaria assim tão banal, se eu tivesse continuado e obtido êxito nas minhas fracassadas investigações…
(*) Conto publicado na revista baiana Artpoesia número 58, e foi incluido no novo livro do autor, “No ritmo sensual da dança”.

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julho 27, 2006 at 12:29 am (Uncategorized)

untitlsed-6-copy.jpgIracema Mendes Regis e Hildebrando, na Biblioteca  de Mauá.

untitlsed-4-copy.jpgAristides Theodoro e Hildebrando, na Casa da Palavra, em Santo André.

untitlsed-1-copy.JPGAna Maria e Hildebrando, durante palestra na Biblioteca Paul Harris, em São Caetano do Sul.

untitlesd-3-copy.jpgÂngela e Hildebrando, interpretando o conto de minha autoria, O Devaneio de Paula, em sarau, na Casa da Palavra, em Santo andré.

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(*) O SUMIÇO DE TRINDADE – conto Hildebrando Pafundi

julho 26, 2006 at 11:29 pm (Uncategorized)

– Trindade, onde está você?

Gritava a infeliz mulher, parecendo louca, ou com algum problema de deficiência mental. Trajava calça de brim preta, que cobria o sapato marrom escuro.

– Trindade, onde você se meteu?

Voltara a berrar, chamando a atenção dos transeuntes, que começaram a prestar atenção em seus trajes exóticos: blusa fina, transparente, cor lilás, realçando o bonito par de seios, que não estavam amparados por sutiã. Envolta ao pescoço,usava echarpe rosa-choque de lã, que o protegia contra o frio. Mas os seios não tiveram a mesma sorte, estavam ali arrepiados, com dois bicos negros querendo perfurar a blusa. Parecia ter saido de algum baile, desses que iniciam as vinte duas horas e terminam as quatro ou cinco horas da madrugada, ou talvez estivesse retornando de algum bar noturno ou boate.

Aquela erótica visão fazia a alegria dos poucos homens que estavam na rua.As mulheres, meio sem graça, comentavam e escondiam com as mãos risinhos sarcásticos.

– Onde será que se enfiou aquele desgraçado?

Falou agora em voz baixa, talvez tentando evitar escândalo maior do que já fizera quando deu os dois primeiros berros às seis horas da manhã daquele domingo frio.

O dono da banca de jornal comentava com antigo cliente:

– Estou neste bairro há mais de vinte anos e nunca vi essa mulher por aqui. E também não conheço nenhum morador com o nome de Trindade.

Realmente era uma situação insólita que estava ocorrendo naquele bairro de classe média, na cidade de Santo André.

A mulher subia pela calçada do lado oposto ao passeio da banca, mas não muito depressa, e de vez em quando, até parava, pensativa. Na maior parte do trajeto, ida e volta, andava normalmente, porém, falando ou gritando;

– Por que você faz isso comigo, Trindade? Apareça, por favor.

Perguntava novamente, e quase implorava pelo seu aparecimento. E como ninguém ali, naquele pedaço do bairro conhecia a mulher, ficava difícil saber quem era o tal Trindade. Talvez fosse marido, ou namorado, como também poderia ser irmão ou um filho. Sabe-se lá. A mulher aparentava uns trinta e poucos anos.

Cansada de tanto andara para baixo e para cima, sempre na calçada do mesmo lado da rua quase sem movimento, acabou sentando-se na guia, Um ou outro vaículo passava, devagar, mas sem que o motorista se preocupasse com aquela mulher.

Parecia já desanimada. Os curiosos achavam que ela desistiria, alguns até já ensaiavam apostas e outros começavam a dar palpites, sugerir as mais variads hipóteses, quando para surpresa geral, ele apareceu.

– Trindade! Finalmente encontrei você, seu ingrato. Onde você estava? Você me deixou bastante preocupada, sabia?

Trindade não respondeu nada. Apenas balançou o rabo para demonstrar sua felicidade.
(*) Esse conto que foi o primeiro colocado no concurso interno do I Encontro Nacional de Escritores na Primavera da Cidade Poesia, promovido pela Associação de Escritores de Bragança Paulista – ASES, em setembro de 2005 e incluido no novo livro do autor, “No ritmo sensual da dança”.

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Provérbio

julho 15, 2006 at 4:22 pm (Uncategorized)

“Melhor é acender uma vela do que amaldicoar a escuridão”. (Provérbio chinês)

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Gatos & ratos – conto – Hildebrando Pafundi

julho 15, 2006 at 4:10 pm (Uncategorized)

A noite surgiu negra e tenebrosa, enquanto o negro gato dormia, no quarto branco, onde havia um rato preto e uma ratazana branca, igual a essas utilizadas para pesquisas e experiências de laboratório.
O rato preto gostou da rata branca. Ela também gostou do parceiro pretinho, prova que entre os ratos não existe qualquer preconceito racial de cor, como costuma ocorrer em alguns países entre os seres humanos.
Mas os grunhidos de amor dos ratos, parecidos com os de um casal de javalis, acordaram o gato preto, que miou contra a noite sem estrelas.
Miado grosso, porém carinhoso, chamando a companheira, a bonita gata branca, que estava no cio.
Depois do delicioso ato sexual, o gato e a gata, que também não tinham preconceito de cor, jantaram o casal de ratos.
Março 2001 – publicado no livro de contos de Hildebrando Pafundi, “Tramas & dramas da vida urbana”, Elosul Editora/2004.

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Hello world!

julho 15, 2006 at 2:09 pm (Uncategorized)

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